segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Falta de expectativa de futuro condena civilização islâmica ao atraso


Existe uma diferença fundamental entre a visão histórica cristã e a muçulmana que explica tudo sobre o atraso islâmico, sobre por que eles não conseguiram dar o salto que os povos cristãos deram.

No cristianismo, em que pese se dizer que Jesus veio "na plenitude dos tempos" (uma frase bastante ambígua e que não é unânime em todas as seitas e igrejas), o foco está no futuro. Jesus voltará, restabelecerá na terra a perfeição do paraíso original, perdida através do pecado de Adão. O cristão vive, então, na expectativa de um futuro que ele crê que poderá acontecer a qualquer momento, seja em vida (se ocorrer o Dia do Juízo), seja postumamente.


Temos ainda outro aspecto curioso aqui: o cristianismo cancelou, relativizou ou expandiu diversas leis e crenças judaicas. As próprias crenças cristãs foram canceladas, relativizadas ou expandidas diversas vezes. O cristão não vê isso como algo necessariamente ruim, pois ele está acostumado com a ideia de que "a letra mata, mas o espírito vivifica". Ou seja, trata-se de tentar adivinhar a intenção perfeita de Deus através de um texto imperfeito. Agora vemos apenas em reflexo, mas um dia "O veremos face a face" -- diz o versículo famoso.

No islamismo estes dois pontos estão postos ao contrário.

Não existe a perspectiva de um retorno futuro de Maomé, trazendo uma revelação melhor. Em vez disso, a vida de Maomé, considerada perfeita, é tida como exemplo eterno até o Dia do Juízo. Maomé é também o último profeta. Depois dele não haverá mais nenhum.

Isto implica que o islamismo vive olhando para trás. Como se a Arábia do século VII fosse uma Idade de Ouro irrecuperável. É impossível criticar os valores e práticas daquele tempo, pois isso implicaria em diminuir Maomé, que afirmou que sua vida serviria de exemplo para os crentes.

Isso quer dizer que o muçulmano é desafiado a aceitar como "perfeito" tudo que existia na Arábia do século VII, e sabemos que aquele lugar e época não eram perfeitos: havia escravidão, analfabetismo em massa, ignorância, falta de higiene (a sharia ensina que o crente deve limpar-se com pedras depois de defecar), submissão da mulher, assassinatos por "honra", iniciação sexual precoce (especialmente da mulher), pena de morte, etc. Todas estas coisas precisam ser toleradas. Nenhuma pode ser criticada, pois criticar essas coisas implica criticar a "plenitude dos tempos" do Islã.

Convém notar que, como Jesus é um ser celestial que encarnou entre os homens, as imperfeições do mundo em que viveu não atingem sua reputação. Especialmente porque ele, de certa forma, procurou colocar-se à margem dos costumes de seu tempo (pagando imposto, perdoando a adúltera, trabalhando no sábado, etc.). Maomé, porém, se apresenta como um homem comum, para falar ao homem comum. Ele não se coloca à margem dos costumes de sua época, mas se beneficia de tudo. Casa-se várias vezes (inclusive com uma menina impúbere), ordena a morte de seus desafetos, ordena depredações etc. Maomé canoniza a sua época tanto quanto Jesus afirma que seu reino "não é deste mundo".

O segundo ponto é a relação com o livro sagrado.
Nenhum cristão tem com a Bíblia uma relação tão forte quanto o muçulmano tem com o Alcorão. Para o cristão,  o que importa é o TEXTO da Bíblia, não o livro em si. Por isso fazem Bíblias de todo tamanho, em todo papel e em todo tipo de capa. Por isso levam debaixo do sovaco, deixam ficar amarrotada, emprestam para os outors, abandonam em gavetas de hotel. A Palavra é o que importa. O livro é só um suporte. 
O muçulmano, porém, vê o Alcorão como um objeto em si sagrado. Não há edições de bolso do Alcorão: todas são caprichadas e cheias de ornamentos tipográficos, com capas duras e laminadas. Não se concebe abandonar um Alcorão numa gaveta de hotel para um hóspede ler: ele deve ser guardado com reverência e somente muda de dono através de presente, que em hipótese alguma pode ser recusado. Um exemplar danificado não pode ser queimado, tem de ser sepultado (sim!). Tanta é a reverência que o Alcorão, oficialmente, só existe em árabe. Todas as traduções existentes são consideradas pelos religiosos apenas como "interpretações" ou "comentários". 
A consequência desse ponto é que o Alcorão, enquanto objeto, adquire um papel de ícone, de símbolo, muito mais forte que a Bíblia.

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