segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Governos da Arábia Saudita e Irã investem pesado para divulgar o Islamismo na América Latina


 


Um canal estatal de televisão do Irã chamado  Hispan TV iniciou em dezembro de 2011 as suas transmissões em língua espanhola para o continente americano e Europa. A sede da emissora fica em Teerã e seu objetivo é popularizar o Islamismo entre os falantes da língua espanhola.
“A rede de TV iraniana abre uma janela para o país persa, berço de uma das civilizações mais antigas do planeta”, diz a nota oficial do governo. A programação inclui noticiários, filmes, séries, documentários, reportagens, entrevistas e programas de análise política, social e econômica. Sempre, claro, mostrando a perspectiva islâmica.
O canal anunciou a exibição em breve de documentários sobre o programa nuclear iraniano, o uso de latinos nas forças militares no Afeganistão, a resistência libanesa, a situação dos curdos na Turquia. Muitos deles têm uma forte orientação anti-americana. “Outros canais de língua espanhola não são independentes e apenas servem aos interesses dos Estados Unidos e de seus aliados”, enfatizou Mohammed Sarafraz, diretor do serviço de radiodifusão iraniano.
O primeiro programa transmitido pelo novo canal foi um filme retratando a vida de Maria e o nascimento de Jesus a partir do ponto de vista islâmico.
“Nosso objetivo é reforçar o conhecimento, elevar a compreensão mútua entre as diferentes culturas e convidar os povos de diversas nações, raças e religiões que se conheçam uns aos outros, sem preconceito”, explica o documento lido durante a inauguração.
O novo canal dará muita importância aos telejornais, cobrindo eventos no Irã, Oriente Médio, Espanha e América Latina,  segundo seus dirigentes. Eles afirmam que já contam com uma rede de correspondentes por todo o mundo.
Stephen Johnson, que dirige o Centro das Américas de Estudos Estratégicos e Internacionais, compara os esforços do Irã em usar a mídia para melhorar sua imagem no exterior com o que o governo norte-americano fez com programas de rádio durante décadas.
O Irã tem feitos investimentos crescentes na América Latina, mas nem sempre com sucesso. A exigência de que as funcionárias usem o hijab [lenço] em um hospital financiado pelo Irã na  Bolívia, atraiu críticas das autoridades locais. O Ministro das Relações Exteriores do Uruguai condenou as recentes declarações do embaixador iraniano que afirmou que os números dos judeus mortos no Holocausto (na casa dos milhões) eram falsas.
No ano passado, o Irã recebeu a classificação mais baixa fora numa pesquisa de opinião pública do Latinobarómetro. Foram entrevistas de mais de 20.000 pessoas, residentes em 18 países latinos (não incluindo Cuba). Apenas 25% dos entrevistados disseram ver o Irã como “bom” ou “muito bom”, enquanto 72% disseram que viam os Estados Unidos de forma positiva.
Mas a Arábia Saudita também decidiu usar a TV. No primeiro dia de 2012 começou a transmissão do canal Córdoba Televisión, administrada por uma fundação saudita extremista, sediada em Madri.
Agora, portanto, existem dois canais de TV via satélite em espanhol com programação 24 horas por dia divulgando o Islamismo para a Espanha, a América Latina e os latinos dos Estados Unidos.
Os transmissores do Córdoba Televisión estão instalados em dois galpões de um bairro de Madri, numa propriedade que pertence à “Fundação para a divulgação do Islã”, presidida pelo xeque Abdulaziz al Fawzan e conta com o respaldo e o financiamento da família real saudita.
A programação deste canal consistirá em documentais, reportagens e conversas relacionadas a temas religiosos.  A maioria de seus jornalistas são espanhóis convertidos ao islamismo. Deste modo, o canal divulgará uma visão wahabista  (islã ultra-conservador de origem saudita), uma ideologia que declara seu “ódio positivo” aos cristãos e justificar a marginalização da mulher nos países árabes.
O professor de teologia islâmica da Universidade Imã Mohamed Ibn Saud, é o mentor da Córdoba TV é membro do Comitê de Supervisão da Sharia (lei islâmica) da Arábia Saudita.

Traduzido e adaptado de CNN e Protestante Digital

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