sexta-feira, 2 de março de 2012

Especialistas em ética defendem morte seletiva de recém-nascidos

 

O jornalista Reinaldo Azevedo publicou uma matéria bastante polêmica em sua coluna semanal. O assunto é a questão “moral” envolvida no aborto.
Azevedo cita os acadêmicos Alberto Giublini e Francesca Minerva, que publicaram um artigo polêmico na Revista de Ética Médica, intitulado “After-birth abortion: why should the baby live?“ [Aborto pós-nascimento: por que o bebê deveria viver?].
Segundo eles, não há grande diferença entre o recém-nascido e o feto. Minerva e Giublini acreditam ser lícito e moralmente correto matar tanto fetos como recém-nascidos. Para eles, a decisão sobre o direito da criança viver ou ser morta cabe aos pais e até aos médicos.
A justificativa é que “nem os fetos nem os recém-nascidos podem ser considerados pessoas no sentido de que têm um direito moral à vida”. Sendo assim, o “aborto pós-nascimento” deveria ser permitido em qualquer caso, tratando-se mais especificamente das crianças com deficiência.
Eles vão mais longe: quando o “recém nascido tem potencial para uma vida saudável, mas põe em risco o bem-estar da família”, também deveria ser “eliminado”.
Em sua argumentação, citam uma pesquisa feita em um grupo de países europeus onde somente 64% dos casos de Síndrome de Down foram detectados nos exames pré-natais. O resultado foi o nascimento de 1.700 bebês com Down, sem que os pais soubessem previamente.
Minerva e Giublini entendem que, se os pais soubessem de antemão, poderiam ter feito o aborto. Como não foi possível, sugerem que essas crianças poderiam ser mortas logo ao nascer.
Questionados sobre a possibilidade de entregar essas crianças para a adoção, responderam “Precisamos considerar os interesses da mãe, que pode sofrer angústia psicológica ao ter de dar seu filho para a adoção. Há graves notificações sobre as dificuldades das mães de elaborar suas perdas. Sim, é verdade: esse sentimento de dor e perda pode acompanhar a mulher tanto no caso do aborto, do aborto pós-nascimento e da adoção, mas isso não significa que a última alternativa seja a menos traumática”.
Ou seja, para eles, do ponto de vista da mulher, matar um filho recém-nascido é “psicologicamente mais seguro” do que entregá-lo à adoção. Minerva e Giublini acabaram com a célebre narrativa do julgamento de Salomão. No lugar do rei, esses dois especialistas teriam dividido a criança ao meio.
Esse texto polêmico revela alguns dos argumentos centrais dos abortistas. Eles reconhecem como vida, tanto o feto como o recém-nascido. Porém, dizem que ainda não são pessoas no sentido que chamam “moral”.
A reação à publicação do artigo foi violenta na comunidade internacional. Os autores chegaram a ser ameaçados de morte.
Julian Savulescu, editor da publicação, também é diretor do The Oxford Centre for Neuroethics. Ele escreveu um texto defendendo a publicação e acusa de “fundamentalistas” e “fanáticos” aqueles que atacam os dois “especialistas em ética”. Para ele, a questão ética não pode se misturar com convicções religiosas.

Com informações VEJA

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