sábado, 10 de março de 2012

Família suspeita de integrar seita se apresenta à polícia em BH

Um idoso, as filhas dele e a neta não eram encontrados desde fevereiro.
Parentes informaram que uma das mulheres tinha comportamentos estranhos.
Um idoso, cinco filhas dele e a neta, considerados como desaparecidos, se apresentaram à Polícia Civil nesta terça-feira (6) em Belo Horizonte. A corporação havia informado nesta sexta-feira (2) que investigava o sumiço do grupo, caso que estaria relacionado à formação de uma seita familiar, segundo informações de parentes e vizinhos repassadas aos policiais.
A ocorrência chegou a ser tratada como um possível transtorno psicótico compartilhado, uma vez que outras pessoas da família informaram que uma das mulheres apresentava comportamentos estranhos e teria expulsado de casa aqueles que não concordavam com ela. Eles estavam desaparecidos desde o velório da mulher do idoso e mãe das mulheres, ocorrido na última segunda-feira (27).
A polícia explicou que parentes que fizeram a ocorrência de desaparecimento prestam depoimento na tarde desta terça-feira (6) na delegacia. Testemunhas e o grupo também vão ser ouvidos. Ainda não foi divulgado o local em que eles estavam. A criança foi encaminhada ao Conselho Tutelar.
De acordo com a delegada Cristina Coeli, da Delegacia Especializada em Localização de Pessoas Desaparecidas da capital, a advogada das irmãs informou, nesta segunda-feira (5), que o grupo não estava desaparecido e que se apresentaria à polícia. Ainda segundo ela, já que as sete pessoas retornaram, as investigações vão ser encaminhadas aos órgãos competentes e a outras delegacias.
A polícia também apura a morte da mãe desta família, mulher do idoso. A delegada informou que, em janeiro deste ano, uma das filhas abandonou o marido e voltou para casa dos pais, iniciando a formação da seita. Quatro irmãs teriam aderido ao comando dela, e os demais que não concordaram tiveram que sair da casa.
De acordo com Cristina Coeli, a mulher justificava que tudo era feito em nome de Deus. “Ela começou a uivar, rosnar e se arrastar pelo chão”, relata. A princípio, a suspeita era de que o grupo passasse por uma espécie de transtorno. Segundo a psiquiatra Maria Cristina Contigli quadros como este são raros. A especialista explica que nesses casos, normalmente, um psicótico lidera e convence outras pessoas, que entram em histeria coletiva.
Além de terem destruído a casa em que a família morava, as mulheres são acusadas pelos irmãos de terem provocado a morte da mãe. A delegada informou que elas acreditavam que poderiam curar a mulher de 59 anos que havia sofrido um acidente vascular cerebral e era portadora de problemas cardíacos e de diabetes. Por isso, suspenderam a medicação e queimaram a cadeira de rodas utilizada pela mãe, que morreu no domingo (26).
A casa da família, localizada no bairro Ipanema, na Região Noroeste de Belo Horizonte, foi interditada pela perícia na noite desta quinta-feira (1º).

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