quinta-feira, 26 de abril de 2012

Gari pai de santo recolhe trabalhos de macumba em floresta do Rio de Janeiro

 

Alexandre Borges, 29 anos, trabalha há dois anos como gari na Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) do Rio de Janeiro, mas recentemente passou a ser o responsável por tirar os despachos deixados na floresta do Alto da Boa Vista.
Tudo começou quando os supervisores ficaram sabendo que Alexandre é pai de santo. “Contaram ao meu chefe que eu sou pai de santo e ele perguntou se eu gostaria de fazer esse serviço. Alguns garis, principalmente os evangélicos, têm medo de pôr a mão em pratos e alguidares” conta o babalorixá.
Como ele tem conhecimento sobre as práticas das religiões afrodescendentes, Alexandre faz seus próprios rituais para poder limpar a sujeira deixada pelos trabalhos. “Para retirar as oferendas eu me abaixo e peço licença em voz alta. Quando vejo a comida de um orixá, peço ‘agô’ (perdão), coloco a tigela no saco de lixo e o deixo num canto para o caminhão levar. O difícil é limpar padê (farofa de dendê), que voa no gramado”, diz.
O morador de Nova Iguaçu conhecido como ‘Pai Alexandre de Oxóssi’ respeita os trabalhos que foram recém-depositados na floresta e não desfaz as oferendas, mesmo quando percebe que a intenção do despacho é para fazer o mal. “Vejo fotos, nomes e até bonecos espetados com agulhas. Só não desfaço o trabalho de ninguém. Quem faz o mal vai arcar com as consequências”.
O Alto da Boa Vista é um local muito usado pelos adeptos dessas religiões e ter alguém com conhecimento desses rituais foi importante para a Comlurb e por isso Alexandre ganhou o posto oficial. “Encontrar quem sabe os fundamentos religiosos foi importante, pois ele sabe fazer a remoção e tem a maior facilidade em abordar os adeptos e pedir para não deixarem materiais espalhados, por exemplo”, diz o gerente da Companhia, Carlos Roberto da Silva.
Com informações Extra

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