segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pregação de químico evangélico contra evolução preocupa cientistas

O bioquímico Marcos Eberlin diz que
a teoria da evolução é uma falácia
Um grupo de cientistas enviou em março uma carta à ABC (Academia Brasileira de Ciência) manifestando “preocupação com a tentativa de popularização de ideias retrógradas que afrontam o método científico”.

Trata-se de uma referência ao bioquímico evangélico Marcos Eberlin (foto), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que também é membro da academia.

O bioquímico tem se destacado pelas suas pesquisas sobre uma técnica para medir massas e composição de moléculas e pelas palestras onde critica a teoria da evolução, de Charles Darwin (1809-1882), com a afirmação de que a ciência tem produzido cada vez mais dados indicativos de que existe uma mente inteligente por detrás de toda a criação.

Eberlin defende a ideia do design inteligente segundo a qual não houve na Terra evolução da vida, que é, no seu entendimento, uma obra de Deus. “'Não aceito a evolução porque as evidências químicas que tenho falam contra ela”, disse ele ao jornal “O Estado de S.Paulo”. “[A teoria da evolução] é uma falácia”.

Em uma entrevista à TV da Universidade Presbiteriana Mackenzie (ver trecho abaixo), ele lamentou o fato de os cientistas estarem tentando enterrar Deus, embora, disse, os pais da ciência acreditassem em uma força divina. Falou que isso mudou em 1859, ano em que a teoria de Darwin foi aceita pela comunidade científica.

Para os cientistas que se queixaram à ABC sem citar o nome do colega, Eberlin mistura ciência com religião ao divulgar “conceitos sem fundamentação científica por pesquisadores de reconhecido saber em outras áreas da ciência”.

Para reforçar o ensino da teoria de Darwin, evitando que se propaguem ideias anticientíficas como a do criacionismo, cinco cientistas estão propondo à USP a criação de um núcleo de apoio à pesquisa sobre educação, divulgação e epistemologia da evolução biológica.

Esses cientistas são: Nelio Bizzo (Faculdade de Educação da USP) Mario de Pinna (Museu de Zoologia da USP), Paulo Sano (Departamento de Botânica da USP), Maria Isabel Landim(também do Museu de Zoologia), e Acácio Pagan (Departamento de Biociências da Universidade Federal, de Sergipe).

Na proposta, eles afirmam estar alarmados com as “manifestações de membros da comunidade científica se posicionando publicamente a favor da perspectiva criacionista, distorcendo fatos para questionar a validade científica da evolução biológica”.

Para eles, esses “polemistas” estão recorrendo a supostas credenciais científicas com o objetivo de influenciar os currículos escolares.

"Cientistas estão tentando enterrar Deus"



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