sábado, 5 de maio de 2012

Estado laico já é o grande perdedor da eleição municipal de São Paulo

Hadadd, Serra e Chalita agem como se
fossem candidatos em um regime teocrático
Independentemente de quem venha a ser o ganhador da eleição para prefeito em São Paulo, neste ano, já é possível afirmar que o grande perdedor será o Estado laico porque os principais candidatos, para tentar arrebanhar votos, têm se comprometido com lideranças religiosas muito além do que seria razoável e sensato. 

O candidato tucano José Serra acaba de dizer que acha “legítima” a manifestação das igrejas na campanha eleitoral, ressaltando que só não pode haver da parte dos religiosos uma “militância formal”. Ou seja, fica subentendido que a militância "informal" pode — o que, aliás, já ocorre.

O discurso de Serra é vago e confuso, propositadamente, com certeza. Ele mistura o direito de manifestação das pessoas com a suposta legitimidade das religiões de se intrometeram em questões de Estado.

"(Se) a pessoa tem uma religião e quer discutir princípios, é legítimo que o faça”, disse ele ao Programa Amaury Jr., na Rede TV! “Quem faz a agenda dos candidatos são as pessoas."
Mas, no programa, ele evitou temas que causam desconforto aos que gostariam de substituir a Constituição pela Bíblia, como casamento de casais do mesmo sexo e aborto.

A campanha do petista Fernando Haddad tem sido vergonhosa, porque, para tentar agradar as lideranças religiosas, ele já afirmou que não sabia do conteúdo do chamado kit gay que o Ministério da Educação, em sua gestão, pretendia distribuir às escolas públicas.

Por conta desse kit, a rejeição de católicos e principalmente de evangélicos tem sido tão grande a Haddad, que o governo Dilma (leia-se ex-presidente Lula) deu um ministério à Igreja Universal, representada por Marcelo Crivella, com o objetivo de afagar os devotos descontentes.

O ex-coroinha e ex-seminarista Gabriel Chalita se lançou candidato pelo PMDB apostando no apoio que tem dos carismáticos, que são os “evangélicos” da Igreja Católica. Ele espera contar com a militância dos 33 mil integrantes da comunidade Canção Nova e dos 412 grupos de oração de São Paulo.

Todos, enfim, se curvaram diante da oratória retrógrada e conversadora dos líderes religiosos. E o Estado laico que se dane.


Nenhum comentário:

Postar um comentário