segunda-feira, 16 de julho de 2012

Com passado em cabaré, sacerdote francês busca resgate da Igreja


Antes de eleger a batina como sua veste diária, há 13 anos, o padre Michel-Marie Zanotti-Sorkine exibia sua vocação de cantor em cabarés de Paris e da Côte d’Azur. A experiência de palco, diz, colaborou para que obtivesse sucesso na missão que lhe foi conferida em 2004: ocupar de fiéis os bancos da igreja Saint-Vincent-de-Paul, em Marselha. Condenada à destruição na década de 1980, e quase sem público nos últimos anos, a igreja foi recuperada pelo padre. Hoje, cerca de 800 fiéis atendem ao seu chamado nos dias de festejos, e a igreja fica aberta por toda a semana.
- Meu passado me ajuda. Quando se está em cena no cabaré, é preciso saber conquistar o auditório. Posso dizer que, de uma certa forma, fui bem preparado - confessa, hoje aos 53 anos. - E a missa é o grande teatro sagrado por excelência.
Para o sacerdote, inscrever o princípio da laicidade na Constituição francesa seria algo “nefasto”.
- Hoje, há movimentos que desejam viver uma laicidade afastando as religiões. E os católicos são os mais criticados de todos. Sobre o islã e os judeus, não se diz 5% do que se diz contra os católicos - afirma.
O debate sobre a eutanásia, na sua opinião, é inútil, e o casamento gay, uma incompreensão.
- Não entendo porque pessoas que vivem grandes amizades desse tipo vão no caminho do convencional, que é o casamento. Não vejo porque todo mundo deve se casar, como se fosse a panaceia. Que cada um viva o que deseja viver, mas na sua própria luz. Nao é o momento de fragilizar a família propondo outros tipos de união - defende.
Em outubro, o padre Michel-Marie lançará o livro “Ao Diabo com a Mornidão”.
- Tento mostrar que a Igreja hoje na França possui coisas belas, mas ao mesmo tempo é uma catástrofe, porque as vocações diminuem, os catecismos também, as paróquias estão vazias. Temos de nos questionar. O islã não seria um problema se enfrentasse verdadeiros católicos. Mas diante deles não há ninguém.

Extra

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