sábado, 1 de setembro de 2012

Fábio Assunção estreia na direção de teatro com peça que discute fé e religião


Trecho da reportagem de James Cimino, no UOL
O ator Fábio Assunção, que estreia nesta sexta (31) como diretor da peça “O Expresso do Pôr do Sol”, em que discute crença e ateísmo, é categórico ao afirmar suas convicções sobre o tema. “Eu não tenho nenhuma religião, acho que Deus está em todas as coisas vivas. Deus nos mostra a verdade, enquanto a religião nos mostra a ilusão do caminho da verdade. Mas agora há pouco, conversando com o Guilherme Sant´Anna [um dos protagonistas da montagem] sobre isso, descobri que essa minha convicção se chama xintoísmo.”
O espetáculo, escrito pelo autor americano e vencedor do prêmio Pullitzer Cormac McCarthy, entra em cartaz no teatro Tucarena, em Perdizes (zona oeste de SP), e traz o embate entre os personagens Black (Sant´Anna) e White (Cacá Amaral). O primeiro é um evangélico que evita que o segundo, um ateu convicto, cometa suicídio. A partir daí, os dois confrontam suas crenças e descrenças ao longo de pouco mais de uma hora.
Em conversa com a reportagem do UOL, os dois protagonistas deram suas opiniões sobre os personagens. Sant´Anna, o religioso, diz acreditar que há muita manipulação por parte das religiões, especialmente hoje em dia, em que a bancada evangélica do Congresso trava projetos de lei que favorecem minorias como os homossexuais. No entanto, diz que seu personagem não é desse tipo.
“Ele incorpora a ideia da fé, porque, de certa maneira, isso o salvou. Agora, o que certas religiões fazem hoje na atualidade é pintar cocô de cor de rosa e dizer que é sorvete de morango.”
Já Cacá Amaral, o suicida ateu, justifica o desejo de seu personagem. “Não que eu apoie esse tipo de atitude. Eu sou a favor da vida, mas compreendo as razões que levam uma pessoa a querer se matar. Tive dois casos na família e é a segunda vez que interpreto um personagem com essa característica. De certa forma acho que me identifico com ele.”
“Não estamos dizendo: ‘sinta-se à vontade para se matar’, muito ao contrário. Mas não modificamos nada no texto para preservar o público. Se alguém se levantar e quiser ir embora, rejeitar a discussão, é algo externo à gente”, explicou Assunção.
Mais sobre “O Expresso do Pôr do Sol” 
“O Expresso do Pôr do Sol” foi publicado por Cormac McCarthy em 2006 e lançado no mesmo ano no teatro em adaptação de sucesso produzida pela companhia de teatro americana Steppenwolf. O texto ganhou filme para a TV produzido pelo ator Tommy Lee Jones, que também fez o papel de White, e Samuel L. Jackson no papel de Black.
McCarthy é famoso por seu trabalho com literatura de ficção, além de “The Sunset Limited” (versão em inglês de “O Expresso do Pôr do Sol”), escrita em 2006, lançou livros como “The Road” e “No Country For Old Men”. O último, adaptado para o cinema como “Onde Os Fracos Não Tem Vez” com Josh Brolin e Javier Bardem nos papeis principais.
ENTENDA A HISTÓRIA
Em “O Expresso do Pôr do Sol”, dois homens fechados em um apartamento do subúrbio da costa oeste americana debatem o valor da vida e da existência.
O debate começa depois que o professor ateu White revela que pretende cometer suicídio se jogando na frente de um trem da linha Sunset Limited, que liga Nova Orleans a Los Angeles.
Para impedi-lo, o ex-presidiário evangélico Black tenta argumentar a favor da vida.
—-
Para informações sobre a temporada da peça, acesse o link original.

Nenhum comentário:

Postar um comentário