terça-feira, 9 de abril de 2013

‘Feliciano não os representa`, mas `vale por mais de 16 Jeans Wyllys’, dispara Colunista da Veja sobre frases na internet


É comum encontrar no Facebook compartilhamentos com imagens de internautas segurando um cartaz com a expressão: “Feliciano não me representa”. A manifestação virtual trata-se do apelo que pede a renúncia do deputado Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e chamou a atenção do colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, que contesta com a grande representatividade do deputado, principalmente entre os evangélico, e define a frase como autoritária e não democrática.

  • Expressão não me representa
    Facebook/Feliciano não me representa
    Expressão 'não me representa' circula no Facebook

“Uma tolice autoritária, típica de gente que não entende o que é o processo democrático e pretende vencer no berro e é um emblema desses tempos de minorais mimadas pela imprensa e pelos Poderes constituídos.”
Entre outras palavras, Reinaldo Azevedo define com análise lógica de que Feliciano não representa os que defendem posições contraria a dele, como ativista GLBTs e simpatizantes da causa, mas que, por outro lado, representa os 212 mil eleitores que votaram nele. “É claro que Feliciano não representa esses gatos-pingados que vão às ruas ou os milhares de radicais do teclado (internautas)”.
O colunista faz a comparação entre a representatividade de Feliciano com o deputado Jean Wyllys (PSOL), que recebeu 13 mil votos na última eleição, contra os 212 mil votos de Feliciano. “Os representantes dessa turma são outros - Jean Wyllys, por exemplo, que chegou à Câmara sobre uma montanha de 13 mil votos. Feliciano não os representa, é certo, mas tem a representação, em primeiríssimo lugar, de 212 mil pessoas que votaram nele - voto a voto, vale por mais de 16 Jeans Wyllys, ora essa!”, analisa Azevedo.
Azevedo vai mais a fundo e usa o exemplo dos cartazes para tratar de uma questão polêmica: até que ponto pode ser definido um ato como homofóbico. “Se os evangélicos saírem em marcha bradando cartazes de Jean Wyllys com a frase não nos representa. Isso seria expressão de homofobia? `Ah, só porque ele é gay…` E Feliciano? Só porque é evangélico? Essa celeuma toda existe porque ele é evangélico e tem uma pauta que não coincide com as dos militantes. Sim, ele não os representa, mas representa outros brasileiros, em número estupidamente maior”, analisa.
Reinaldo Azevedo entra no assunto após trazer as informações sobre os protestos que ocorreram neste final de semana no Rio de Janeiro e São Paulo que pediam a renuncia do deputado Feliciano da CDHM. Segundo Azevedo, um pequeno número de pessoas compareceram as manifestações, contrariando o que foi passado pelos organizadores do manifesto. “Na Cidade da Garoa, os promotores da passeata falaram em 4 mil, a CET em 500, e a Polícia Militar, que costuma ter números mais precisos, porque tem de se preparar para garantir a segurança, em apenas 150. Essa gente está cutucando evangélico com vara curta. Feliciano não representa os que protestam, mas representa outros grupos, que também podem decidir se manifestar e ir às ruas, não é mesmo?"
O colunista avalia que os manifestos contrariam a democracia, já que o deputado foi eleito por uma maioria, e que deverá cumprir o seu mandato. “Um evangélico chegou à presidência da comissão por mecanismos garantidos pela democracia e não pode ser deposto por métodos ditatoriais. Feliciano também não me representa. Como sou um democrata, acho que ele tem de cumprir seu mandato. É possível discordar de alguém sem aderir a uma campanha de linchamento. É possível fazer-se ouvir no Congresso sem agredir os fundamentos da democracia”, afirmou o colunista.

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