quinta-feira, 9 de maio de 2013

Mulher que acusa pastor de estupro diz que teme por sua família


O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele teve o cabelo raspado após ser levado para o Complexo de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro (foto: Divulgação/Seap)
O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele teve o cabelo raspado após ser levado para o Complexo de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro (foto: Divulgação/Seap)
Julia Affonso, no UOL
Uma das mulheres que acusa de estupro o pastor Marcos Pereira, preso na noite de terça-feira (7), afirmou temer pela segurança de sua família após ter realizado a denúncia. A mulher, que tem medo de se expor, pede que não sejam feitas fotos dela. “Saímos de lá [da igreja], mas não deixamos de acreditar em Deus. Não sou só eu, não sou sozinha. A gente tem filhos, família e fica com medo”, disse à reportagem do UOL. ”A gente é uma formiguinha na frente de um batalhão.”
“Tem coisas que é muito complicado falar, mas eu resolvi denunciar para que isso sirva de alerta e outras mulheres não sofram com isso”, explica, sob o olhar atento da filha mais velha.
Segundo o depoimento da mulher, ela morou em um abrigo da Assembleia de Deus dos Últimos Dias e, lá, foi obrigada a fazer um “Conserto Espiritual”, que consistia em contar ao Pastor detalhes de sua vida pessoal, como dizer se era virgem e se já havia namorado.
Ela contou à polícia detalhes dos abusos que sofreu durante dois anos, sempre dentro da igreja. Segundo ela, o pastor a procurava sempre que ela estava brigada com o marido. Além disso, ela falou também, em depoimento, sobre uma suposta lavagem de dinheiro que o pastor faria na Assembleia.
“Que o pastor Marcos recebia o dinheiro dos traficantes, nos valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil e entregava CDs e DVDs no intuito de se resguardar na lavagem de dinheiro; que o pastor dizia aos membros da sua congregação que estava vendendo os CDs para evangelização e não pegando o dinheiro com o tráfico”, explica no depoimento.
A mulher a família deixaram a igreja há quatro anos e, segundo depoimento dela, tiveram que passar por “tratamento psicológico constante para tentar uma vida normal”.

Após orgia, pastor ordenava que todos pedissem perdão, diz mulher em depoimento

Trecho de depoimento de suposta vítima de abuso sexual por parte do pastor Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias
Trecho de depoimento de suposta vítima de abuso sexual por parte do pastor Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias
Uma das mulheres que acusa Marcos Pereira da Silva, pastor da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, preso na noite de terça-feira (7), de estupro disse em depoimento à polícia que o pastor chamava garotos de programa para participar de orgias e que mandava que as pessoas pedissem perdão depois das relações sexuais. O pastor foi preso na noite de terça-feira (7), quando saía da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, na rodovia Presidente Dutra.
Em um dos depoimentos, ao qual o UOL teve acesso, a mulher contou a dinâmica dos abusos. Ela disse que o pastor via nela um “espírito de lésbica”, e que então passou a ser chamada por ele em seu gabinete. Tempos depois, ele começou a assediá-la.
“A declarante se recorda que participou um garoto de programa [da orgia]. [...] Marcos passou a querer que a declarante aliciasse outros membros da Adud para participarem daquelas orgias, porém a declaraste disse que não faria aquilo. [...] Após o ato sexual, o Pastor Marcos ordenava que os participantes do ato pedissem perdão uns aos outros sobre o que havia ocorrido e que após procurassem o Ministério da Adud, na figura de um diácono, evangelista ou presbítero, que pedisse a ele também perdão, informando que foi enviado pelo pastor, porém mantivesse em segredo o que havia ocorrido”, diz a mulher em depoimento prestado em abril deste ano.
Outra mulher contou também que o pastor mandou que ela não contasse nada a ninguém e a ameaçou dizendo que iria “acabar com a sua vida”.
Em depoimento dado em março de 2012, outra testemunha afirmou que o pastor fez um “Conserto Espiritual” com ela, e isso consistia em perguntar se a mulher era virgem e se já havia namorado alguém.

Habeas corpus

O advogado do pastor Marcos Pereira afirmou que deve pedir ainda nesta quarta-feira (8) um habeas-corpus pela soltura de seu cliente. Segundo Marcelo Patrício, o pastor está “tranquilo” e “sereno” na prisão, porque se considera inocente.
“É uma covardia o que está sendo feito com o pastor. É tudo mentira. Isso é invenção de pessoas que não gostam dele”, disse Patrício. “Duas pessoas foram forçadas a fazerem isso [acusá-lo]. Uma menor fez um exame no IML [Instituto Médico Legal], que comprovou que ela é virgem. Ele é uma pessoa muito boa, nunca ameaçou ninguém.”

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