sexta-feira, 5 de julho de 2013

Visita do papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude é tentativa de unir católicos contra o crescimento evangélico, dizem especialistas

Visita do papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude é tentativa de unir católicos contra o crescimento evangélico, dizem especialistas
A realização da Jornada Mundial da Juventude este mês no Rio de Janeiro é vista como uma reação da Igreja Católica aos problemas enfrentados pela denominação como a perda de fiéis para grupos evangélicos e uma necessidade de se fazer relevante em questões sociais, como o combate à pobreza ou o casamento gay, tema complexo e altamente discutido na sociedade.
Segundo o padre Pedro Gilberto Gomes, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul, a Igreja Católica deve se movimentar no sentido de tornar-se novamente uma denominação que motive os fiéis a se compromissarem com os ensinamentos, e não apenas viver de declarações a respeito das questões sociais.
“Quando você é apenas declarativo, você pode mudar de religião de acordo com o momento em que está vivendo, em busca de respostas mais rápidas e concretas”, afirma o padre Gomes.
Esse é o ponto, segundo o professor Francisco Borba, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, que levou as igrejas evangélicas neopentecostais a atrair os fiéis católicos.
Para Borba, a criação de uma “ponte entre o místico e o material”, fazendo o Evangelho ter um viés mais direto e concreto, tornou-se a diferença principal desta vertente em comparação com o catolicismo.“Para a Igreja Católica, o que muda a sociedade é o comportamento dos cristãos, a mudança não vem de Deus”, enfatiza.
O crescimento dos evangélicos, e a redução dos católicos, é um dos motivadores para que a Igreja Católica se posicione para tentar reunir novamente seus fiéis. O Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que 64,6% dos brasileiros se identificava como católico, contra 73,6% em 2000. Já os evangélicos passaram de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Ainda assim, o Brasil é o país com maior número de católicos no mundo.
“Existe um novo modo de relacionamento [com os fiéis] que o papa Francisco está tocando e com isso ele poderá realmente trazer um pouco mais de ânimo para os católicos no Brasil, que ultimamente estavam com a autoestima baixa, em muito por causa dos grandes escândalos”, disse o padre Gomes, segundo informações do site Último Segundo, do IG.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

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